Indígenas amazónicos preparan su Cumbre


Por Minga Informativa de Movimientos Sociales

El próximo 15 de agosto, en la ciudad de Manaus, Brasil, inicia la “Primera Cumbre Regional Amazónica: Saberes Ancestrales, Pueblos y Vida Plena en armonía con los Bosques”, convocada por la Coordinadora de Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica -COICA-.

En este Año Internacional de los Bosques, declarado por Naciones Unidas, la Cumbre propone “ofrecer una plataforma de diálogo proactivo que permita intercambiar conocimientos y experiencias sobre saberes ancestrales, conservación y uso sostenible de los bosques”, según la convocatoria. Diálogo que pondrá en escena a pueblos indígenas, gobiernos, organismos internacionales y sociedad civil “para definir acuerdos, compromisos políticos y acciones prácticas por la conservación y los usos que ofrecen los bosques”.

El temario incluye el cambio climático; los proyectos REDD+; biodiversidad; derechos colectivos; saberes ancestrales; territorios, “economía verde” y vida plena e incidencia y comunicación en derechos indígenas, entre otros. Se espera consensuar propuestas de cara a los próximos procesos multilaterales como la reunión de la COP17 en Durban, Sudáfrica, en diciembre, sobre cambio climático, y la Conferencia Mundial Rio+20 sobre desarrollo sustentable (Rio de Janeiro, junio 2012).

Para el día 16 está previsto un gran acto público en defensa de la vida y de los pueblos, contra la represa Belo Monte y otros grandes proyectos en la Amazonia.

Según información de la COICA, la cuenca amazónica abarca más de 10 millones de km cuadrados en nueve países amazónicos, donde están asentados unos 390 pueblos indígenas.

Sin duda las propuestas en torno a la REDD+ (Reducción de Emisiones de la Deforestación y la Degradación de Bosques) constituirán uno de los temas de debate central de esta Cumbre. Se estima que la destrucción de los bosques es uno de los primeros factores generadores de gas carbónico a nivel mundial. No cabe duda que los conocimientos y prácticas ancestrales de los pueblos indígenas, y su motivación por conservar su hábitat, ofrecen una clave de solución frente a este gravísimo problema, que avanza con paso precipitado en la Amazonia.

La REDD+ es una de las respuestas formuladas en el marco de las negociaciones globales de reducción de las emisiones de carbono, que prevé incentivos financieros para conservar los bosques. No obstante, es un tema polémico que no hace consenso en el seno del movimiento indígena. Si por un lado, varias comunidades ya están participando en los llamados programas de servicios ambientes, por otro, hay sectores que temen que el apoyo de los países ricos a estos programas es una estrategia para eximirse de la obligación de reducir sus propias emisiones industriales. Además, se los cuestiona por subvertir los derechos tradicionales y convertir los bosques tropicales en un commodity.

Frente a este debate, la COICA ha formulado una propuesta de condiciones y garantías para una REDD+ en comunidades indígenas, que contempla, entre otros aspectos:

- El principio de acción colectiva, desde la cosmovisión de los pueblos indígenas, encaminada a proteger el suelo, el bosque, el oxigeno y el agua.

- El desarrollo de los derechos a la consolidación jurídica de los territorios indígenas; el ordenamiento territorial y la zonificación económica y ecológica; y el fortalecimiento de las formas de gobernabilidad en los territorios.

- La no aceptación en los territorios indígenas: de proyectos de monocultivos; de intermediarios del mercado de carbono; de concesiones de bosques superpuestas bajo la figura del mercado de carbono y los proyectos privados o estatales que pretendan desarrollar un rubro de carbono a causa de los bosques.

- La aplicación por los Estado de los procedimientos de consulta para lograr un consentimiento previo, libre e informado de los pueblos indígenas, según el convenio 169 de la OIT, respectando el sistema y las estructuras de representación de las organizaciones indígenas en cada país; en su idioma y sin intermediación de terceros.


La Cumbre es organizada conjuntamente con la organización indígena amazónica brasileña COIAB.

Povo Xavante declara guerra contra segunda expulsão da Terra Indígena Marãiwatsédé

Por Renato Santana/Cimi -De Ribeirão Cascalheira, Mato Grosso (MT)

“Nunca Xavante chorou de medo, nunca fugiu de morrer. Xavante sempre enfrenta por seus direitos. Estou preparando muito bem essa guerra, está sendo pensado. É assim desde o século passado. Afirmamos e mantemos isso”. A fala é de cacique Damião Paridzane, da Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé, no Mato Grosso (MT). No último dia 28 de julho, parecer jurídico, uma carta escrita pelo cacique, além de um abaixo-assinado chegaram às mãos do desembargador Federal Fagundes de Deus a tratar dos últimos episódios que põe em risco a posse Xavante de Marãiwatsédé.

Com a paciência esgotada, a liderança indígena organiza seu povo para resistir a mais uma tentativa de retirada dos Xavante de seu território originário, além de reivindicar ao governo federal a desintrusão de todos os não-indígenas do território homologado desde 1998 – a morosidade, na avaliação dos indígenas, é a principal razão para mais um tentativa de expulsão do povo Xavante de Marãiwatsédé. O recado do cacique tem destino certo. Fazendeiros, posseiros, madeireiros e grileiros, invasores do território, se articularam com deputados estaduais e conseguiram que a Assembleia Legislativa do MT aprovasse, em junho, a Lei nº 9.564 que autoriza o governo do estado a realizar permuta com a União da área homologada de Marãiwatsédé pela do Parque Estadual do Araguaia.

A permuta garantiria aos depredadores e invasores a continuidade da exploração do território indígena - que já perdura desde os anos 1960, década em que ocorreu a primeira retirada forçada dos Xavante de Marãiwatsédé. “A comunidade não quer ser retirada pela segunda vez da terra. Para nós não interessa. Essa lei é contra os direitos que a Constituição dá para os índios. Estamos firmes e animados para a decisão final da Justiça”, disse cacique Damião. Enquanto os Xavante se organizam para resistir, o governo federal vacila na retirada dos fazendeiros e posseiros que ainda insistem em se manter no território já homologado. Eles são os principais interessados e articuladores da retirada dos Xavante das terras. Mesmo com a declaração oficial da Fundação Nacional do Índio (Funai) contrária à lei aprovada no MT, os cerca de 670 Xavante ocupam somente 20% de um total de 165.241 hectares. O resto da terra continua vítima da grilagem e devastação.

Em maio deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) detectou que dentro da Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé, área da Amazônia Legal, 68,8 quilômetros quadrados estão desmatados, sendo o maior foco do país – o que equivale a 43 vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo. “Marãiwatsédé foi demarcada, homologada e ainda tem posseiro, fazendeiro criando gado? Isso é um desrespeito. Queremos que o governo gederal os retire para que meu povo possa recuperar a terra da devastação, muito prejudicada”, reivindicou cacique Damião.

Permuta: mecanismo ilegal

De acordo com parecer jurídico elaborado pelos advogados Denise da Veiga Alves e Adelar Cupsinski, ambos assessores jurídicos do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Terra Indígena Marãiwatsédé é bem de uso especial da União “para o fim específico de posse permanente e usufruto exclusivo de suas riquezas pelo povo Xavante”. Portanto, a Lei nº 9.564 sancionada pelo governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, atinge as raias da inconstitucionalidade.

Outro argumento usado pelos advogados dá conta de que a inalienabilidade e a indisponibilidade – termos constitucionais - sobre Marãiwatsédé significam, na prática, que as terras indígenas não podem ser cedidas, doadas, transferidas, vendidas ou permutadas. “A posse do território é garantida por força constitucional ao povo Xavante. Não se pode confundir Direito Civil com Direito Originário, o indigenato, ou seja, o direito indígena ao usufruto e posse das terras é anterior a qualquer reconhecimento formal pelo Estado”, completou a advogada Denise.

Um abaixo-assinado com mais de 500 assinaturas a favor dos índios Xavante foi anexado ao parecer, além da carta. Cacique Damião, que nasceu em Marãiwatsédé, acredita que o apoio externo é importante, sobretudo porque a recuperação ambiental do território é necessidade imediata. Os Xavante vivem de roças de tocos tradicionais: arroz, milho, feijão, abóbora, mandioca, melancia, inhame, cará. Como a terra está muito fraca - não há mata - essa produção não vem em grande quantidade. Eles coletam e caçam, mas pouco para a comunidade. Há também uma roça de arroz mecanizada, que a Fundação Nacional do Índio (Funai) ajuda a manter.

“Isso mostra que estamos confiantes, resistentes. Dentro da tradição na nossa terra tem o inhame, um pouquinho de caça, que quase acabou por conta da ação dos invasores. Sempre digo: índio não pode esquecer a tradição. E nós nunca acabamos por isso. Meu pai faleceu, mas fui criado sem sair da tradição. Essa é a origem do índio no Brasil”, completou. Para cacique Damião não existe outro documento que a cultura – num gesto simples, retira um pedaço de madeira de sua orelha esquerda furada e diz: “Isso aqui mostra que sou índio, o toré mostra que sou índio, os rituais mostram que eu sou índio. E a gente tem terra. Nós não invadimos ou roubamos nada. Nos invadiram e nos roubaram”.

1966: a primeira retirada forçada dos Xavante de Marãiwatsédé

Os Xavante de Marãiwatsédé, pertencentes ao tronco linguístico Macro-Jê e de família linguística Jê, fazem parte do grande povo Xavante que habita o leste do Mato Grosso ). No total, são 18 mil indivíduos em 11 Terras Indígenas e divididos em 178 aldeias. Os primeiros registros dos A’wue datam de 1751, quando as terras foram de forma paulatina invadidas. Os Xavante de Marãiwatsédé foram os últimos a terem contato com a sociedade envolvente, no final dos anos 1950, pelas ações de atração do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Muitos sertanistas e agressores foram mortos na tentativa pacífica ou violenta de aproximação com esses índios.

Os primeiros posseiros da Terra Indígena Marãiwatsédé a invadiram em 1958. Quase quatro anos depois, a fazenda Suiá-Missú era instalada nas terras indígenas como propriedade escriturada. Os Xavante, reduzidos pelos assassinatos e doenças trazidas pelas expedições punitivas e grupos de atração do SPI, foram usados como mão-de-obra pela família Ometto, ‘dona’ da fazenda. Quando essa mão-de-obra foi considerada dispensável pelos invasores, um acordo envolvendo os Ometto, a FAB e o SPI decidiu pela retirada forçada dos Xavante de suas terras para a Missão Salesiana de São Marcos, 400 km ao sul do território originário – completamente tomado por posseiros, grileiros e latifundiários.

Pela janela de um C-47 da Força Aérea Brasileira (FAB), Damião Paradzane, ainda um jovem índio, viu o Território Indígena Marãiwatsédé se afastar de seu povo – composto por 263 indivíduos. Em São Marcos, os indígenas se encontraram com outros grupos Xavante, como eles reduzidos pela atração da sociedade envolvente e invasores de territórios. No novo território uma epidemia de sarampo matou cerca de 80 índios. Os indígenas sobreviventes, com a estrutura social fragilizada, se dividiram. A reviravolta ocorreu apenas na década de 1980.

Remanescentes de Marãiwatsédé e as novas gerações se reorganizaram para recuperar o território. Descobriram que a fazenda Suiá-Missú, maior propriedade constituída no território, encontrava-se sob controle da Agip do Brasil S/A, filial da corporação italiana. Na Conferência Mundial do Meio Ambiente, a ECO 92, no Rio de Janeiro, em meio às várias discussões que pautaram o encontro, os executivos da Agip prometeram devolver o território para os Xavante.

Invasões não cessaram com homologação de território

Em 9 de abril de 1992, os estudos de identificação da área foram concluídos pelo Grupo de Trabalho da Funai. A homologação de Marãiwatsédé só viria em 11 de dezembro de 1998. O território teria 165.241 hectares, estendendo-se pelos municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia, São Félix do Araguaia e Serra Nova Dourada, a leste de MT. No entanto, a fazenda Liquifarm Agropecuária Suiá-Missú S/A, da Agip, não entrou na identificação e homologação - sendo leiloada numa manhã de 30 de novembro de 1992.

Os Xavante foram enganados e entre a conclusão dos estudos e a homologação, grileiros e fazendeiros, respaldados por políticos, estimularam a invasão de pequenos posseiros no território. Segundo levantamento da Opan, anúncios foram feitos em várias partes dos estados de Mato Grosso e Goiás para que toda e qualquer gente desfavorecida de terras fossem ocupar Marãiwatsédé. As matas e o cerrado, áreas consideradas ruins para o cultivo, foram destinadas a esse povo sofrido pela concentração de terras nas regiões de onde chegaram. A devastação da natureza se intensifica no território Xavante. Nas terras tidas como de boa qualidade, o latifúndio se instalou com suas centenas de cabeças de gado e o desmatamento para o pasto também tomou outras proporções.

“Sabiam e sabem que é área dos índios, já na época de 1993 eles se envolveram com políticos de São Félix e Cuiabá. Os fazendeiros trouxeram vários posseiros, de outras cidades, de Goiás, São Paulo. Nós achamos que tem de tirar eles porque não são índios e ocupam área indígena demarcada”, indignou-se o cacique Damião. Em 2003, os anciãos Xavante se reuniram e manifestaram aos mais novos o desejo de regressar a Marãiwatsédé – terra onde a cosmologia Xavante encontra força como morada da ancestralidade e dos encantados. Cerca de 280 indígenas fazem o caminho de volta, mas na entrada do território são barrados na BR-158 pelos invasores das terras – a estrada foi bloqueada por um ônibus da prefeitura de Alto Boa Vista. Os Xavante decidem não voltar para São Marcos e acampam às margens da BR.

Por lá ficaram sob lonas de novembro de 2003 a agosto de 2004, quando sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) garante a entrada dos indígenas no território para ocupar a fazenda Karu – ou seja, depois de cinco anos da homologação de Marãiwatsédé .

Pela água! Pela vida...

Encuentro de los Pueblos de Abya Yala por el Agua y la Pachamama



Desde el 21 al 24 de junio/2011, con la participación de varias organizaciones, movimientos sociales-populares, y la Facultad de Ciencias Médicas de la Universidad de Cuenca, se realizó en la ciudad, el Encuentro de los Pueblos de Abya Yala por el Agua y la Pachamama. Asistieron delegados de más de 22 países de América Latina y el mundo para compartir experiencias de lucha y resistencia por la naturaleza y sus derechos.

Objetivos del Encuentro

. Denunciar la criminalización de la lucha y resistencia por la naturaleza ante el Tribunal Ético Internacional.
. Construir estrategias unitarias de resistencia para la defensa de los derechos humanos y de la naturaleza.

. Intercambiar propuestas para la vida desde la filosofía y las cosmovisiones de los pueblos originarios.



Ejes temáticos

. Minería metálica y sus efectos: salud, medio ambiente, agua, biodiversidad, soberanía alimentaria, desplazamientos humanos, derechos laborales. Explotación petrolera y sus consecuencias: experiencias en Yasuní, experiencias sobre Chebron-Texaco

. Procesos de resistencia al extractivismo: experiencias de organización y lucha social, sacralidad del agua, estética y comunicación en la resistencia. En una mesa de análisis de Mujer y resistencia se construyó un mañay (altar) parta reflexionar sobre la importancia de la mujer en los procesos de resistencia en América y el mundo.

.Criminalización de la luchas de resistencia: presentación de casos y testimonios. En la gráfica compañeras y compañeros de México, Guatemala, Canadá, Argentina y Chile que presentaron sus casos.

. La visión del sumak kausai: agroecología, alternativa al modelo extractivista. En un lugar de Guapdondelig (Cuenca), en Pumapunko (puerta del puma) se construyó la chakana andina de 12 lados con maíz, flores, frutas, agua, elementos musicales, piedras sagradas, tejidos ancestrales para realizar una ceremonia en la que participaron los delegados de los países que visitaron Ecuador durante este Encuentro. Cuatro mujeres dirigieron el ritual de la encendida del fuego, luego la presentación de ofrendas y el propiciamiento a los cuatro puntos cardinales que representan agua, aire, fuego y tierra. Crisanta de Guatemala, maya cachiquel; Josefina Lama de la provincia de Imbabura, quichua Otavaleña; Carmita Lozano de la provincia de Loja, quichua Saraguro; Robertina Vele de la provincia del Cañar, quichua Cañary. También propició con su cununo (tambor ecuatoriano) desde su expresión afroecuatoriana el activista y decimero popular, Linber Nazareno. Carmita Zari y Alberto Dumaguala, ambos quichuas cañaris de Azuay, también colaboraron en la ceremonia en la que el sol estuvo radiante y la energía plena.

. Utopías alcanzadas: amnistías, mandato minero, derechos de la naturaleza en la constitución ecuatoriana, consultas, protección de glaciares y páramos andinos.


. Comunicación Medios y cultura: derecho a la libertad de expresión y comunicación, redes sociales, tecnologías de información y comunicación, medios de comunicación y empresas transnacionales. Destacada participación tuvieron los compañeros de Wambradio de El Churo Comunicación, quienes trasmitieron varias instancias del evento en directo
www.wambraradio.com/ El Equipo Comunicándonos del Movimiento para la Salud de los Pueblos-Latinoamérica, también lo hizo desde su página www.aguaypachamama.org; así como Radio Mundo Real www.radiomundoreal.fm/ Los compañeros del Periódico Alternativo Opción al mando del “Llamingo Villarroel” también cubrieron el evento www.nodo50.org/opcion/215/ Hubieron comunicadores de México, Argentina, Estados Unidos, Canadá, Chile, Perú, Colombia. También llegaron con su Proyecto de recorrer el mundo, el Acróbata del camino, Juanito Villarino y su compañera. www.acrobatadelcamino.blogspot.com/

Foro Los Pueblos de Abya Yala frente a la crisis civilizatoria

Este evento realizado durante la apertura en el Salón de la Ciudad, contó con la asistencia de los delegados nacionales e internacionales, medios de comunicación masiva, trasmisión en vivo de audio y video de comunicadores populares nacionales e internacionales y con ponentes como el investigador social uruguayo Raúl Zibechi quien señaló que: “está en crisis la producción, porque al capital no le interesa esta como forma principal de acumulación, ya que es el espacio en donde hay seres humanos, en ese lugar, los de abajo, aprendimos a resistir, a organizarnos”.


Luis Macas, de la nacionalidad de saraguros, ex presidente de la CONAIE, ex candidato presidencial ecuatoriano, manifestó: “parece que no queremos mencionar esa crisis global, esa crisis civilizatoria de la humanidad, esa crisis estructural del modelo occidental, la que está atravesada por la condición colonial en la que todavía vivimos. Esas bases sirvieron para construir la colonia, y luego para construir la república en nuestros países, hoy seguimos en el neocolonialismo del que debemos liberarnos”.

Alberto Acosta, ex presidente de la Asamblea Nacional Constituyente Ecuador 2008, cree que: “ahora hay una propuesta civilizatoria que surge de los pueblos marginados de la tierra, de las comunidades y pueblos indígenas, del sumak kausai, soma kamaña, ñandadeco, son propuesta civilizatorias de cambio para el mundo que comienzan a ser escuchadas. La Constitución de Montecristi-Ecuador 2008, elaborada con el concurso de todos, es la constitución del agua, y el agua es vida. Pero esto no es por casualidad, el Ecuador es uno de los países de mayor dotación de agua en el planeta, pero está muy mal distribuida y en riesgo, tanto en sus fuentes de origen, como en su calidad por la contaminación”.


Humberto Cholango, presidente de la Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador (CONAIE) señaló: “nosotros desde los movimientos sociales del Ecuador, tenemos que organizarnos, por este motivo queremos hacer la convocatoria para el 11 de agosto, a todos los movimientos sociales para marchar en contra de las grandes empresas mineras y petroleras, a los compañeros que están siendo perseguidos por defender la naturaleza, a estudiantes, amas de casa, trabajadores, movimientos sociales, a concentrarnos y a construir una Agenda de Lucha en el país, para que nos de esperanza a todos, y en especial a nuestros hijos”.

Tribunal Ético Internacional instalado en Cuenca-Ecuador



Este se instaló en el Salón de la Ciudad y contó con la presencia de Raúl Zibechi, investigador de Uruguay; María Hamlin, Movimiento para la Salud de los Pueblos, Nicaragua; Elsi Monge, Derechos Humanos, Ecuador; Lía Isabel Alvear, poetisa y académica de Colombia. Como conjueces estuvieron Diana Murcia, abogada en derechos de la naturaleza, de Colombia; Raúl Moscoso, constitucionalista, de Ecuador; Carlos Poveda, abogado, de Ecuador . El Tribunal receptó los casos de criminalización y persecución a mujeres y hombres que defienden los derechos de la naturaleza, por oposición a la minería a gran escala; por oposición a la Ley de Aguas y defensa de los derechos de los pueblos indígenas, por defender el territorio del Pueblo de Manta, por la no aplicación de amnistías.

Especial atención tuvo el caso de la provincia del Azuay, Ecuador, del cantón Nabón en donde hay compañeros en la clandestinidad por estar acusados de sabotaje y terrorismo. Ellos se comunicaron vía telefónica, y testimoniaron la persecución, sus esposas e hijos, en cambio expresaron la tristeza y el vacio de no tener a sus padres y esposos.



Cultura


Yaku Canto, con el trovador Jaime Guevara, la cantora popular Rufina Zhagui, y el cantautor popular, sacerdote Teodoro Delgado; y un acto cultural con danzas y música de Azuay, Cañar y Zamora Chinchipe de Ecuador, luego de la Marcha, cerraron el Encuentro en Cuenca, además se leyó el veredicto del Tribunal Ético Internacional. Al siguiente día, saldría muy temprano una delegación de activistas nacionales e internacionales hacia las lagunas de Kimsacocha (tres lagunas) ubicadas en la parroquia Victoria del Portete de Tarqui (cercana a Cuenca) para constatar que efectivamente es un grandioso humedal, hoy declarado santuario natural por la comunidad. De este humedal nacen varios afluentes de los ríos que alimentan los sistemas de agua de la ciudad de Cuenca, pero lamentablemente en el se quiere emplazar la explotación de oro por parte de la empresa canadiense I am gold.

Lonas pretas, retratos de dor e sofrimento de um povo!

O vento frio soprava sobre as chamas de um pequeno fogo no chão. No céu, uma lua clara iluminava a fumaça que subia, como que indo ao seu encontro. Ao redor do fogo algumas mulheres, homens e crianças em silêncio contemplavam a noite. A tranquilidade daquele momento, à luz da lua, ao calor do fogo, era quebrada pelos sons inquietantes e quase que ininterruptos dos caminhões que trafegavam pela estrada. À beira de uma rodovia, os barracos de lonas pretas servem de abrigo e lar para a comunidade Guarani Mbyá do Arenal, localizada sobre o barranco da BR-392, na cidade de Santa Maria/RS.



O artigo é de Roberto Antonio Liebgott, do Cimi Regional Sul - Equipe Porto Alegre.



O silêncio naquele início de noite, segunda-feira, 13 de junho de 2011, tinha uma única razão. O luto. Morreu, dois dias depois de nascer, Rodrigo Martins. A mãe, Suzana Benites, acometida por uma pneumonia deu a luz prematuramente ao menino. Ela permanece internada em estado grave.

Em 09 de junho de 2011 nasceu mais um Mbya na beira da estrada, debaixo de um barraco de lona preta, sob o frio intenso e úmido de outono. No dia 11 de junho de 2011 ele foi acolhido por Ñhanderu. Foram apenas dois dias vividos. Tempo suficiente para que Rodrigo sentisse no corpo a dor e a angústia de seu povo.

O pequeno Rodrigo veio habitar um mundo doente. Mesmo no ventre de sua mãe sofreu, junto com ela, o descaso, a omissão e a negligência do poder público. Ele foi concebido sob o abrigo das lonas e sobre o chão molhado. Lá, no barranco da estrada, sem as mínimas condições de vida, passou sua gestação guardado e amparado pelo ventre da mãe que adoecia. Ela, mesmo doente, o amou e sonhou com a possibilidade de que o filho pudesse ter uma vida melhor do que a dela e a de seu marido, o Karaí (líder religioso) da comunidade, Marcelino Martins.

A morte do Rodrigo aconteceu porque os órgãos de assistência, especialmente a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (SESAI) e a Prefeitura Municipal de Santa Maria, desprezam o povo Guarani. Desprezam o seu modo de ser. Desprezam seus direitos humanos e constitucionais. Os governos federal, estadual e municipal não reconhecem estes direitos. O abandono e a omissão parecem ser parte de uma política previamente planejada.

Não é por acaso que este povo vive, resiste e reclama direitos nas margens de estradas ou em pequenas áreas de terras sem água potável, sem saneamento básico, sem terra para plantar e produzir seu sustento. E na noite em que Suzana Benites dava a luz a Rodrigo, as lideranças Guarani do Arenal reivindicaram apoio médico, bem como solicitaram uma ambulância. E certamente não foi por acaso que elas não foram atendidas.

Nada é por acaso numa sociedade preconceituosa e governada por autoridades e políticos igualmente preconceituosos. Nesta sociedade não há lugar para povos e culturas diferentes, pois estes são oposição ao modo capitalista de ser.

O Povo Guarani, assim como os demais povos indígenas, está entre aqueles que os governantes, desde a ditadura militar, gostam de classificar como estorvo, penduricalhos ou entraves. É por isso que não se demarcam as terras, não lhes são destinadas políticas públicas adequadas e coerentes. O máximo que lhes oferecem são esmolas, através de cestas básicas ou as sobras de alguns medicamentos, ou os resquícios de alguma capoeira nas margens de domínio das estradas e/ou pedaços de lonas pretas. Lonas que na essência da imagem são como que retratos da dor e do sofrimento do Povo Guarani no Rio Grande do Sul.
Nisto se resume a política do Estado Brasileiro para os Guarani Mbya. As condições a que se submetem estes homens, mulheres e crianças, são desumanas e inaceitáveis: viver em acampamentos provisórios, desprovidos de tudo o que pode assegurar a vida. E eles seguem vivendo, não por dias ou meses, mas por anos e anos uma situação de desesperadora espera pela ação do poder público, pela constituição de GTs de identificação e delimitação territorial, pela demarcação e garantia das terras. Mas o governo nada faz! Pratica, com isso, um genocídio lento e gradativo. Desrespeita a dignidade e os direitos humanos, sociais, políticos deste povo já tão ultrajado.

Mas, apesar do Estado e suas estruturas desumanas, a resposta é a resistência. Impressiona aos que convivem com os Guarani Mbya o fato de que, mesmo diante da dor e do sofrimento, eles se apegam à Vida.

Sustentam-se no modo de ser Guarani. Apegam-se a sua cultura, as suas crenças, a sua tradição. Apegam-se a sua religiosidade e rejeitam completamente o modo de ser dos Juruá (brancos).

O que certamente incomoda os governos é constatar que apesar de suas políticas e artimanhas os Guarani não desistem de lutar pelos seus direitos. E certamente incomoda ainda mais as autoridades o fato de que as lutas Guarani não são convencionais ou previsíveis, elas são cotidianas, insistentes e contínuas, tal como o seu modo de viver, num contínuo caminhar. Elas são centradas na crença de que há "uma terra sem mal" e que esta deve ser buscada e conquistada através do diálogo, da tolerância, da perseverança, não como uma utopia, mas como possibilidade real.

Os Guarani do Arenal já apresentaram às autoridades municipais, estaduais e federal um programa de ações para solucionar os problemas a curto, médio e longo prazo. Querem assistência continuada em saúde. Querem também que a Funai crie um grupo de trabalho para proceder aos estudos de identificação e delimitação de uma terra dentro do vasto território Guarani. E desejam ainda que, enquanto isso não acontece, seja destinada uma área para o assentamento das famílias que vivem em beira de estradas, mas este local precisa oferecer condições adequadas para viver, tendo água potável, casas, saneamento básico, assistência em saúde, educação.

As propostas são simples, viáveis e pouco dispendiosas. No entanto, os entes públicos não esboçaram nenhuma intenção em implementá-las. Ao que parece, a omissão, a negligência ou o mero assistencialismo são os traços marcantes de uma política destinada aos povos indígenas, que se concretiza cruelmente na realidade dos acampamentos à beira de rodovias.

Os barracos de lona parecem sinalizar que as reivindicações dos Guarani não têm a menor importância e que a existência deste povo não interessa ao poder público. Também não interessa à sociedade que sequer percebe a presença deste povo em acampamentos que agora estão como que incorporados à paisagem.

Esta dura realidade ofende não somente o modo de ser dos Guarani Mbya, como também um conjunto de princípios e de direitos, cunhados com suor e sangue, para resguardar nossa humanidade. Ao submeter os Guarani Mbya a esta condição desumana, o poder público insinua, em síntese, que não há lugar para este povo, num mundo em que a propriedade e a máxima produtividade definem o que conta e o que pode ser descartado. Nega-se assim o direito, nega-se a diferença, nega-se a vida.